Encontrar uma correspondência para mim

U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 5.1: Encontrar Trabalho no UK]

2020.11.09 09:43 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 5.1: Encontrar Trabalho no UK]

Olá amigos!
Hoje vamos falar de trabalho: como procurar, gerir entrevistas e o tempo intermédio entre aceitar a oferta e começar a trabalhar. Decidi fazer uma pausa no capítulo 4 (sobre o Brexit e o Covid) porque senti que estava a deprimir toda a gente (e a mim) desnecessariamente. Temos tempo para falar nisso e fazer rescaldos mais tarde, mais vale falarmos hoje de coisas úteis! Como os posts estão numerados pelas subsecções dos respectivos capítulos, é sempre fácil encontrar a correspondência.

TL;DR

Encontrar Emprego (no UK)

Isto começou tudo um dia destes quando desatei a enviar CVs. Como já conversámos, eu estava altamente frustrado com as minhas perspectivas em Portugal e por isso estava na hora de mudar. Além disso, havia um pormenor particular da minha situação que me motivou: eu nunca tinha conquistado realmente uma posição. Ao longo dos anos, enquanto estudante e investigador, formei uma rede de contactos e reputação que foram resultando numa série de ofertas pelas quais fui trepando; fui saltando de oportunidade em oportunidade, subindo aos poucos sem nunca ter que activamente conquistar nada. Isto, lá está, é também resultado da área relativamente rarefeita em que me especializei. Então cheguei a uma altura em que me perguntei "será que consigo convencer alguém a dar-me trabalho?"
O meu processo foi simples: procurei em mailing lists e empresas que conhecia da minha área específica, procurei oportunidades abertas, e enviei CVs com cover letters para as que me pareceram relevantes. Obviamente, este é "o processo" e talvez seja um bocadinho essa a mensagem: encontrar trabalho é tanto sorte como esforço, por isso é preciso insistir. Não me restringi (quase) nada nas nacionalidades das oportunidads: enviei CVs para o UK, Holanda, Alemanha, Itália e mais uma série de países. O único país que evitei mais ou menos activamente foram os Estados Unidos, porque conheço algumas pessoas que estão ou estiveram lá, e a experiência que contam não é algo a que eu me queira sujeitar. Ainda me candidatei a oportunidades em Portugal, mas honestamente não queria fazer um "lateral move"; a mudar que fosse para (muito) melhor.
Naturalmente, a definição de "insistir" vai variar muito de caso para caso. Eu enviei algumas dúzias de CVs, talvez uns 50, mas diria que enviar mais de 100 é algo normal nos dias que correm. Procurar oportunidades internacionais abre sempre mais o leque, e torna mais fácil enviar CVs "em barda" para centenas de sítios em relativamente pouco tempo. Por outro lado, vai prejudicar as possibilidades de aceitação, uma vez que qualquer empresa que olhe para o CV com a morada estrangeira sabe que vai ter que lidar com os problemas da relocalização, e nem todas estão para isso.
É importante ter um certo grau de ambição também, e não fazer candidaturas apenas para posições em que preenchemos todos os requisitos. Por estranho que pareça, a empresa onde trabalho hoje foi uma daquelas em que pensei "vou mandar o CV mas não vai dar em nada" por ser ligeiramente ao lado do meu trabalho até então, e no entanto cá estamos. Nenhuma oportunidade se deve deitar fora à partida!

Entrevistas atrás de entrevistas

Na minha área há muita procura, por isso consegui entrevistas em mais ou menos 10 a 20% dos CVs que enviei, o que são números muito bons na minha opinião. No pico, cheguei a ter 5 ou 6 entrevistas por semana, o que à partida parece pouco dada a duração de cada entrevista, mas na realidade é extenuante; são mais de 5h de foco máximo e de "vender o peixe". Nunca comprometi o trabalho que tinha na altura para poder estar em entrevistas, por isso marquei-as sempre para horários estranhos. Cheguei a ter entrevistas às 7 da manhã e às 18h no mesmo dia, com um dia inteiro de trabalho pelo meio.
Obviamente, eu não conheço o processo de recrutamento de muitas empresas; apenas conheço de algumas, e relativamente restritas à minha área. Um aspecto que me espantou particularmente foi a quantidade de entrevistas que se fazem antes de se chegar a uma oferta. Eu só concorri para posições relativamente sénior, por isso não fui submetido propriamente a testes técnicos (tirando numa ou outra ocasião), mas fogo, foi entrevista atrás de entrevista atrás de entrevista.
A primeira entrevista é sempre mais exploratória, e parece-me ter mais o objectivo de deitar candidatos fora do que propriamente para encontrar bons candidatos. A primeira entrevista normalmente é também a mais fácil, porque os entrevistadores só querem saber se encaixamos mais ou menos na posição, então trata-se de rever o CV, fazer uma passagem pela experiência relevante e discute-se a questão da relocalização. Às vezes parece estranho, mas perguntam a um tipo que explicitamente se candidatou para fora se está disposto a mudar-se para fora. Normalmente esta entrevista é conduzida exclusivamente pela malta do HR.
As formalidades são um aspecto interessante. A única vez em que me chamaram "doutor" foi quando me candidatei a oportunidades em universidades (como post-doc ou lecturer ou o que for). Em Portugal já sabemos que é assim; as pessoas agarram-se aos penachos e interessa-lhes mais isso do que terem algum valor técnico. No estrangeiro não achei que fosse tanto, mas pelo menos na academia parece haver algum toque disso também. Nenhum entrevistador de uma empresa me chamou alguma coisa que não o meu nome, eu retribuí o favor, e toda a gente é feliz. Mais tarde falamos mais nisso.
A segunda entrevista já varia muito de local para local. À partida já envolve alguém técnico da área específica, perguntas mais difíceis, e uma interacção mais tecnicamente interessante. A segunda entrevista é boa para sabermos se, de facto, estamos interessados na posição, porque temos a oportunidade de discutir com as pessoas que trabalham no assunto o que é que fazem. Uma pergunta que gosto muito de fazer é "então e como é o dia típico de uma pessoa nesta posição", e a resposta é muito reveladora. Se se acanharem, então já sabemos que o dia-a-dia é fodido. Se forem abertos, então ficamos a saber se encaixamos na cultura da empresa, e por aí fora. Por exemplo, essa pergunta fez-me saber que uma empresa (não onde fiquei) praticava algo de interessante: toda a gente estava no escritório das 9 às 12, e o resto do dia faziam o que quisessem. Pré-covid, o conceito era interessante.
Eu honestamente gosto de entrevistas. Fazer entrevistas umas atrás das outras, quando se está na situação confortável de não precisar do trabalho, é muito divertido. Temos a oportunidade de interagir com pessoas interessantes, de nos desafiarmos, de aprendermos a vender o nosso peixe. A entrevista é uma espécie de esgrima "high-stakes" em que temos que saber usar o que nos lembrámos de escrever no CV para defendermos a nossa posição naquela situação. Dá-me mais ou menos aquela sensação de quando defendi qualquer uma das teses; estes gajos estão aqui para me mostrar que eu sou uma merda, e eu vou-lhes cuidadosamente explicar que sou o maior. Não sei, é divertido. Mas lá está, a minha visão é romantizada. Eu aposto que se tivesse que fazer entrevistas no desespero de não ter dinheiro teria outra visão.
Da terceira entrevista para a frente o assunto já se complica e varia radicalmente de local para local. Uma universidade marcou-me uma sessão para um post-doc deles para fazer um teste técnico prático (que foi hilariante por várias razões). A empresa onde estou, lá para a quarta entrevista, pegou em mim e trouxe-me ao UK para falar com os tipos da equipa onde trabalho agora. Outra empresa marcou-me uma sessão com o líder técnico deles para discutir detalhes do design deles.
Quando a relação está séria, ela lá pergunta "tens preservativo?"
Ah, enganei-me. Ao fim de meia dúzia de entrevistas, eles perguntam "então e quanto é que esperas ganhar?" Eu gostava de ter um conselho bom, mas não tenho. Eu sou péssimo a negociar salários e disse sempre o óbvio: "eu não conheço o custo de vida na vossa cidade, portanto tenho que avaliar a oferta e ver em que estado fico". Eu não sei se é uma boa estratégia ou não, é mesmo só sincera e pelos vistos funciona.

O tempo entre a oferta e o começo

Recebida a oferta, um tipo pensa que está tudo feito, mas é aqui que começa um pesadelo diferente, pelo menos no que toca ao UK. No UK há o conceito de "referencing", através do qual toda a informação que foi entregue ao potencial empregador é verificada. Isto envolve, por exemplo:
É um processo estranho e altamente frustrante. Normalmente o processo é sub-contratado a empresas de "call center" deslocalizadas que fazem tudo remotamente, com muito pouco brio, à maneira deles e completamente escudados de qualquer responsabilidade. No meu caso em particular o processo demorou excruciantes semanas em que tinha aceite a proposta mas não tinha garantias de, de facto, ter trabalho. Para quem tem uma margem muito curta de algumas semanas para marcar voos, fazer mudanças, encontrar casa etc... é muito complicado.
O meu processo de referencing foi particularmente enervante. Foi realizado por uma empresa francamente incompetente, ao ponto de me parecerem maliciosos, que fizeram praticamente tudo o que podiam fazer mal:
Durante este período estamos "in limbo": nem temos trabalho nem não temos. Não podemos aceitar outros compromissos, mas também não está nada garantido. Temos que entregar a carta no sítio onde estamos, mas ainda pode algo correr mal e perdermos a oportunidade. Sei hoje que este processo é muito ilustrativo da atitude Inglesa (como a conheço) para o chamado "paper trail". Se o assunto for sério, nada é deixado ao acaso e a referenciação é feita com cuidado. Outro exemplo é, naturalmente, o arrendamento; o referencing aqui é também muito duro, ainda que normalmente menos demorado.
Naturalmente, sei de experiências diferentes. Regra geral, a complexidade deste intermédio correlaciona com a dimensão da empresa. Quando entrei para uma empresa pequena, foi questão de ir lá assinar o contrato e começar 2 dias depois.

Conclusão

Ora aí está, os primórdios de como arranjei trabalho por aqui. Tentei fazer deste post algo mais útil e menos de opinião, digam lá como acham que me saí.
Desculpem a ausência de uma semana. A vida às vezes dá umas voltas e temos que correr atrás dela. Aproveitei o tempo extra para reformular muito a forma como escrevo e organizo o que escrevo, o que me deve permitir manter melhor a calendarização semanal dos posts. Ao contrário do que tinha planeado, não vou conseguir fazer dois posts por semana sob pena de acabar rapidamente com o material. Vou manter o post semanal à segunda pois isso é o que encaixa melhor no meu ritmo de escrita. Como sempre, obrigado a todos os que me enviaram mensagens a perguntar se já tinha morrido :)
Abraços!
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2020.04.15 07:23 wotuso Nenhuma estabilidade é páreo para o retorno de uma pessoa importante.

Então, não sei se vou me arrepender de escrever isso aqui quando eu acordar mas lá vai. Sempre fui uma pessoa introspectiva, sem muita experiência social ou amorosa. Quando era adolescente, conheci uma pessoa com quem não esperava fazer amizade, nos conhecemos pessoalmente, numa viagem, mas morávamos em lugares distintos e de forma muito natural desenvolvemos um laço muito forte de amizade. Tínhamos formas de pensar muito comuns, mas vidas totalmente diferentes, já que a outra pessoa vivia tudo que eu desejava, de forma que na minha cabeça eu era o outcast e a outra pessoa vivia uma adolescência de filme americano. Vocês já devem imaginar que não demorou para que eu me apaixonasse. Entre idas e vindas, eu tentando reprimir meu sentimento, por saber que não iria dar em nada, eu me abrindo e depois tendo que prometer que tentaria deixar pra lá, só pra conseguir continuar ao lado de uma pessoa que mesmo sem romance, me amava com reciprocidade e me tinha como alguém que participou muito da formação e amadurecimento como pessoa. Esse vai e vem durou anos, vi essa pessoa namorar, separar, passar por crises, e no fundo eu nunca esqueci o sentimento. Também tive as minhas, a pessoa esteve ao meu lado e mesmo nos momentos que a gente ficava meio distante, que o santo não batia, sempre acabava por voltar a amizade. Há uns 2 anos essa pessoa veio me visitar, vivemos 1 semana juntos que arrisco dizer que foi uma viagem a sentimentos puramente sublimes. Chegamos a nos beijar, mas só, e guardamos com muito carinho esse tempo que pudemos estar juntos pessoalmente. Há uns 1 ano, ou 1 ano e meio, essa pessoa estava bem distante de mim, numa fase ruim, eu estava me dedicando a alguns projetos pessoais e na minha cabeça tinha chegado o momento de cada um tomar seu rumo, paramos de nos falar de forma natural, como quem não vê muito futuro, e isso pra mim significava o fim. Desde então levei essa pessoa no coração como passado, como alguém que me ensinou muito, que trocou muita coisa comigo, e que mesmo sendo passado, eu guardaria num lugar bom da memória. Eis então que semana passada essa pessoa me manda uma mensagem pra retornarmos a nos falar, eu começo muito receoso, na defensiva, sem tomar iniciativa, mas logo eu já me senti confortável, mesmo sem ser aquele que puxa a conversa, já me vi novamente entregue às expectativas de ter alguém que a gente gosta de novo com a gente. Essa pessoa não me prometeu nada, é claro, mas por simplesmente mostrar seu afeto e seu desejo de se encontrar comigo de novo, de termos nossa amizade de novo, já mexeu muito comigo. Hoje essa pessoa, no meio de uma conversa, mencionou casualmente que em breve deve ir morar junto com outra pessoa, com quem tem um relacionamento. Claramente isso me quebrou, por mais que eu soubesse que essa outra pessoa existia, ouvir isso caiu como uma pá de cal pra mim, não era um namorico que eu sabia que acabaria, é uma coisa real. E então eu lembro de todos os rolos que eu tive, pessoas que eu fiquei desde que nos conhecemos (foram poucas pessoas, o suficiente pra lembrar de todos facilmente). Percebo como todas as pessoas com quem cheguei a sair algumas vezes em pouco tempo me eram desinteressantes, ou por mais legais que fossem, eu sempre sentia que faltava algo, sem nunca associar os fatos, mas sempre com a sensação de que ainda não era alguém que eu queria namorar, ficar mais tempo, etc. Hoje estou aqui sem conseguir dormir sem saber o que fazer, minha vida estava indo até bem, consegui um emprego, mudei pro curso que queria, estou com uma boa relação em casa, mas porra, nunca me senti tão sozinho e há muito tempo eu não sabia o que era sentir essa falta de correspondência, que na adolescência eu via como um contratempo, já que as coisas eram mais efêmeras, mas que agora recebo como um tiro, porque eu sei que por mais que eu sinta que é pra ser, que é inevitável, que é uma sintonia foda de uma pessoa pra outra, simplesmente não vai acontecer, porque o que a gente sente como destino nem sempre vai ser o que acontecerá.
Desculpem o texto grande, olha que omiti muitos detalhes pra deixar menos "rastreável". Espero profundamente que a pessoa do texto não use o reddit, e se você ler isso, já sei que amanhã teremos uma conversa difícil.
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2019.02.08 17:58 NatanaelAntonioli Cifra de Alberti

Saudações! Estou escrevendo uma apostila sobre criptografia (a qual provavelmente vai no futuro complementar os vídeos do canal com novos temas) e decidi postar aqui uma das seções, a respeito da cifra de Alberti.

Esse sistema de comunicação foi desenvolvido em 1467 por Leon Battista Alberti, um autor renascentista. A inspiração para criação da cifra surgiu nas conversas entre Leon e Leonardo Dati, secretário apostólico do papa Paulo II, que sugeriu uma forma de proteger mensagens secretas, deixando-as mais difíceis de serem decifradas por eventuais interceptadores.
O sistema de criptografia era composto de dois discos. Um exterior, chamado Stabilis, que se mantinha fixo e continha caracteres em letra maiúscula e números de 1 a 4, e um interior, chamado Mobilis, que era móvel e continha caracteres em letra minúscula mais o símbolo &.

https://preview.redd.it/xqz25paekdf21.png?width=412&format=png&auto=webp&s=d9dd3388c4db336d22f6dd75a21e30fa6fdf5972
Existem diversas formas de se criptografar mensagens utilizando esse aparato. Aqui, detalharemos as duas apresentadas por Alberti no livro De Cifris.
Ambas as formas têm, como primeiro passo, envolve combinar um índice com seu interlocutor, que será definido por uma letra no disco interior. Por exemplo, vamos definir h como sendo nosso índice.
Ainda para ambas as formas, precisamos posicionar a letra h, presente no disco interior, abaixo da letra A do disco superior. Portanto, nosso disco ficará assim:

https://preview.redd.it/06qtr1ggkdf21.png?width=334&format=png&auto=webp&s=ee31c6d5f2a60fdb454f5da8bad03e61aad9421b

Em seguida, podemos compor nossa mensagem, tomando o cuidado de utilizar apenas letras presentes no disco exterior. Por exemplo, uma mensagem válida seria:
O NOVO PAPA DEVE SER ESCOLIDO OGE A TARDE
Observe que suprimimos a letra H, e trocamos a letra J por G, uma vez que elas não estão presentes no disco exterior. Essas adaptações na mensagem devem ser feitas a critério do usuário, evidentemente, sem prejudicar o conteúdo da mesma.
Em seguida, adicionamos alguns números de 1 a 4 de forma arbitrária na mensagem, em qualquer momento dela. Devemos, apenas, evitar que dois números iguais sejam inseridos em sequência. Por exemplo:
O NO2VO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
Agora, devemos começar o processo de criptografia realizando as correspondências entre cada letra do disco exterior e seu equivalente do disco interior. Por exemplo, a letra O deve ser traduzida como P, a letra N deve ser traduzida como n, e assim por diante.
https://preview.redd.it/vdp3czmjkdf21.png?width=331&format=png&auto=webp&s=f91935dba32bcf9bd8e56474e093b10f06e76965
Ao encontrar um número (no nosso caso, o primeiro número encontrado foi o 2), devemos criptografá-lo conforme a correspondência já estabelecida. Depois, devemos girar o disso interior até que a letra correspondente a ele (no caso, a letra m) fique em baixo da letra A no disco exterior.

https://preview.redd.it/ae4rk4inkdf21.png?width=564&format=png&auto=webp&s=8ac6b9f8f7ac6c39030a2d97db520d8f519ada8f
Assim, a letra m passa a ser o novo índice, que deverá ser mantido até que um novo índice seja encontrado ou que a mensagem acabe. Ao final do processo, a mensagem traduzida é:
p npmuk lmxcx &solo goe ogythmolro ozgp g igmnp
Para traduzir a mensagem, devemos conhecer o índice inicial, e posicioná-lo de acordo no disco. Em seguida, realizamos a tradução verificando as correspondências entre o disco interior e o disco exterior (por exemplo, p corresponde a O, n corresponde a N, m corresponde a 2). Quando encontrarmos um número, movemos o disco interior de forma que a letra que antes estava no lugar desse número passa a ser o novo índice, e prosseguimos no processo.
Ao final, temos a mensagem recuperada, e basta removermos manualmente os números:
O NO2VO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLHI1DO OG3E A TARDE
O segundo método prevê que também seja acordado um índice entre os interlocutores (continuaremos com h). Porém, agora, a mensagem deve ser escrita inteiramente em letras minúsculas, mas ainda usando apenas letras presentes no disco exterior. Assim, temos:
o novo papa deve ser escolido oge a tarde
Em seguida, devemos adicionar algumas letras maiúsculas à frase. Essas letras podem tanto ser aleatórias (sem nenhum valor semântico no texto, com os números) como também presentes no próprio texto (usaremos essa possibilidade). A única condição é que essas letras estejam no disco inferior. Podemos também adicionar alguns números para aumentar a entropia da mensagem, se quisermos. Por exemplo:
o novo Papa Deve sEr escOlido oge a Tarde
Agora, a mensagem está pronta para a criptografia. O processo começa da mesma forma que o anterior: evemos começar o processo de criptografia realizando as correspondências entre cada letra do disco exterior e seu equivalente do disco interior. Por exemplo, a letra O deve ser traduzida como P, a letra N deve ser traduzida como n, e assim por diante.

https://preview.redd.it/f57n5fmskdf21.png?width=283&format=png&auto=webp&s=f14dd9f71f8ecf4184539a26a7af9ad3b28111c5
Ao encontrar uma letra maiúscula (nesse caso, o P), devemos criptografá-la normalmente (então, P irá corresponder a r) e escrever o resultado em letra maiúscula, portanto, R. Em seguida, devemos rotacionar o disco de forma que p fique em baixo do A.

https://preview.redd.it/1tmbah1vkdf21.png?width=593&format=png&auto=webp&s=406564eee13420070d6c215fc2dddc5547a72e7c
Assim, a letra P passa a ser o novo índice, que deverá ser mantido até que um novo índice seja encontrado ou que a mensagem acabe. Ao final do processo, a mensagem traduzida é:
p npxp Rpip Uese xEo nmkXabig gdh o Rtb&x
Para traduzir a mensagem, devemos conhecer o índice inicial, e posicioná-lo de acordo no disco. Em seguida, realizamos a tradução verificando as correspondências entre o disco interior e o disco exterior (por exemplo, p corresponde a O, n corresponde a N). Quando encontrarmos uma letra maiúscula, movemos o disco interior de forma que a letra que antes estava no lugar dessa letra maiúscula passa a ser o novo índice, e prosseguimos no processo.
Ao final, a mensagem recuperada é:
O NOVO PAPA DEVE SER ESCOLIDO OGE A TARDE
Os números, além de servirem meramente como nulos, também tinham correspondência com algumas frases em um livro que deveria estar de posses de ambos os interlocutores. Nesse caso, não possuímos o livro, mas você pode criar um com seu interlocutor se julgar necessário.
Existem alguns artifícios que você pode utilizar para facilitar o processo de criptografia. Em primeiro lugar, a ferramenta em https://goto.pachanka.org/crypto/alberti-cipher-disk apresenta um disco rotativo que pode ser muito bom para fins didáticos, mas cujo software apresenta alguns problemas na hora da tradução.
Para fazer a tradução de forma automática, você pode utilizar um programa desenvolvido por mim presente em https://github.com/NatanaelAntonioli/cifradealberti. Ele permite criptografar e descriptografar qualquer mensagem, com algumas alterações para se adequar ao alfabeto de 26 caracteres.
Por fim, a cifra de Alberti também tem uma vulnerabilidade intrínseca: existem apenas 24 índices possíveis e, portanto, um ataque de força bruta consegue rapidamente retornar 24 mensagens (ou 48, se contarmos as duas técnicas) dentre as quais uma delas vai corresponder a mensagem original. Claro que esse fator não foi um problema na idade média (uma vez que um interceptador ainda precisaria possuir o aparato físico e saber como o código funciona para realizar a tradução), mas inviabiliza o uso dessa técnica nos dias atuais.
Você pode realizar esse ataque de força bruta no programa que criei. Para tanto, basta selecionar a opção 3. Abaixo, há o resultado desse ataque para nossa mensagem codificada das duas formas possíveis.
p npmuk lmxcx &solo goe ogythmolro ozgp g igmnp
-------------------- Com o indice m----------------
R QRAVO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice q----------------
Q PQ4VO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice i----------------
P OP3VO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice h----------------
O NO2VO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice f----------------
N MN1VO PA1PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice d----------------
M LMZPG IZSDS RVXIX FXE XFTO324QTA AZOS O DOBRS
-------------------- Com o indice b----------------
L ILXOF GXRCR QTVGV EVD VESN224QTA AZOS O DOBRS
-------------------- Com o indice a----------------
I GIVNE FVQBQ PSTFT DTC TDRM124QTA AZOS O DOBRS
-------------------- Com o indice c----------------
G FGTMD ETPAP ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice e----------------
F EFSLC DSO4P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice g----------------
E DERIB CRN3P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice k----------------
D CDQGA BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice l----------------
C BCPF4 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice n----------------
B ABOE3 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice p----------------
A 4BOE3 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice r----------------
4 4BOE3 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice t----------------
3 4BOE3 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice u----------------
2 4BOE3 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice z----------------
1 4BOE3 BQM2P ORSES CSB SCQLZTSEIS SNCG C XCTFG
-------------------- Com o indice &----------------
Z XZF3X ZIDSD CFGZG VGT GVE4OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice x----------------
X VXE2X ZIDSD CFGZG VGT GVE4OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice y----------------
V TVD1X ZIDSD CFGZG VGT GVE4OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice s----------------
T STCZQ RC3PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
-------------------- Com o indice o----------------
S RSBXP QB2PA 4DEVE SER ESC2OLI1DO OG3E A TARDE
p npxp Rpip Uese xEo nmkXabig gdh o Rtb&x
-------------------- Com o indice m----------------
R QR1R STET ZSES CSB SCQ3MLEP PIF B VXL23
-------------------- Com o indice q----------------
Q PQZQ R4O4 CBRB PBV IXFRTSOZ ZRP L AM4PQ
-------------------- Com o indice i----------------
P OPXP QQBQ TVGV EVI 2LZE32VB B1X R GG1MN
-------------------- Com o indice h----------------
O NOVO PAPA DEVE SER ESCOLIDO OGE A TARDE
-------------------- Com o indice f----------------
N MNTN OSDS XQCQ AQ3 P4NZQPLT TOM F 23PBC
-------------------- Com o indice d----------------
M LMSM NBQB EAQA OAT GVEQGFBM MEC 3 RBSEF
-------------------- Com o indice b----------------
L ILRL MRCR VM3M 1M4 QAO1IGCN NFD 4 SXL23
-------------------- Com o indice a----------------
I GIQI LCRC FFXF TFZ M1ITSRNX XQO I 4ARDE
-------------------- Com o indice c----------------
G FGPG IPAP SOAO 3OA RBP2LIDO OGE A TARDE
-------------------- Com o indice e----------------
F EFOF GETE II1I XI2 O3MXONGR RMI D Z3PBC
-------------------- Com o indice g----------------
E DENE FN3N QL2L ZLO BP4LZXR3 3VS O DOBRS
-------------------- Com o indice k----------------
D CDMD EFVF L2N2 L2O BP4LZXR3 3VS O DOBRS
-------------------- Com o indice l----------------
C BCLC DM2M PZLZ GZF ZGVC43XC C2Z S IREVX
-------------------- Com o indice n----------------
B ABIB CGXG MM3M 1M4 QAO1IGCN NFD 4 SXL23
-------------------- Com o indice p----------------
A 4AGA BL1L ON4N 2NN AO3IFEAL LDB 2 QSFXZ
-------------------- Com o indice r----------------
4 34F4 AIZI N1M1 I1N AO3IFEAL LDB 2 QSFXZ
-------------------- Com o indice t----------------
3 23E3 43N3 BDTD RDX LZGSMLEP PIF B VXL23
-------------------- Com o indice u----------------
2 12D2 32M2 ACSC QCS FTDPVTP1 1SQ M BNAQR
-------------------- Com o indice z----------------
1 Z1C1 21L1 4SES CSB SCQ3MLEP PIF B VXL23
-------------------- Com o indice &----------------
Z XZBZ 1ZIZ 3RDR BRL 3M1FDC3G GB4 Z OVI12
-------------------- Com o indice x----------------
X VXAX Z1L1 4SES CSB SCQ3MLEP PIF B VXL23
-------------------- Com o indice y----------------
V TV4V XXGX 2QCQ AQ3 P4NZQPLT TOM F 23PBC
-------------------- Com o indice s----------------
T ST3T VTET ZSES CSB SCQ3MLEP PIF B VXL23
-------------------- Com o indice o----------------
S RS2S T3N3 BDTD RDX LZGSMLEP PIF B VXL23
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2018.01.10 21:26 ajuda_anonimo [Sério] Conselho: fim de relação de 10 anos, tenho 26.

Sou um rapaz, conheci uma rapariga no 11º ano e começámos a namorar. Fomos co-dependentes um do outro durante 10 anos, vivíamos muito um pelo outro, ajudámo-nos um ao outro a superar as dificuldades nas nossas vidas e funcionámos muito bem enquanto durou.
Enquanto ambos estudávamos víamo-nos todos os dias e ela dependia muito mais de mim para se manter feliz do que eu dela. Eu acabei os meus estudos e comecei a trabalhar, ela ainda está a estudar. Esta diferença provocou um distanciamento geográfico uma vez que não vivemos juntos neste período. Passámos a ver-nos com muito menos frequência do que no tempo em que ambos estudávamos, e felizmente, ela conseguiu dar a volta e tornar-se independente emocionalmente, encontrou amigos e aprendeu a lidar com a crítica. Eu cada vez mais gostava mais dela ao ver o seu crescimento pessoal.
Há pouco tempo disse-me que não sabia porquê, mas já não gostava de mim. A minha opinião é que por ter sido um bom companheiro de suporte emocional muito importante para ela, quando ela deixou de precisar desse suporte, muito do apreço que tinha por mim desapareceu. Não a culpo e talvez seja melhor assim para os dois.
Ainda assim, eu fiz um esforço ao longo do ultimo mês para organizar coisas com ela para tentarmos reatar mas era óbvia a falta de vontade do outro lado, chegou a dizer que sentia repulsa.
Hoje decidi pôr um fim a isto, senti que estava a fazer demasiada pressão, o esforço era unilateral e não estava a ser bom para nenhum de nós.
Investi todos os meus recursos sociais nesta relação e só tenho um amigo com realmente algum significado para além dela. Um verdadeiro caso de um cesto que se rompeu e que tinha toda a minha fruta la dentro.
Habituei-me a uma relação com significado e baseada na amizade e no respeito. Isso faz-me muita falta agora e tem-me feito nos últimos tempos, daí ter decidido terminar para tentar acabar com este sofrimento.
Gostava de conseguir manter-me produtivo no meu trabalho, ainda por cima faço-o em casa ao meu ritmo. Tenho imensos interesses, distrações não me faltam, mas parece que nada enche este vazio, talvez porque não gosto assim tanto de nada como gostava da minha namorada, e essa é outra razão pela qual este relacionamento já não era saudável, acabei por ser eu a depender dela, só que desta vez não houve correspondência.
Eu devia ser capaz de ser completo sozinho, mas neste momento preciso de alguém capaz de encher este vazio. Como não tenho experiência "no engate" nem uma vida social super ativa, pensei virar-me para o Tinder para tentar encontrar alguém interessante, mas ao mesmo tempo tenho uma ideia de que a população feminina no Tinder não está à procura de relacionamentos sérios. Ou procuram amizades ou sexo sem compromisso. Estarei enganado? Com 26 anos tive a sorte, ou o azar, de começar a minha vida amorosa com uma relação muito longa e que funcionou bem, pelo menos para o meu lado.
Antes que escrevam a proverbial frase "bate uma punheta que isso passa", gostava de explicar que o meu interesse sexual na rapariga só se manifesta quando estávamos juntos, literalmente no sofá ou na cama, dada a situação que temos passado. Não tenho qualquer atração sexual por ela quando não estou com ela, há coisas mais importantes que isso, tipo... sei la... o amor -.- ...
Alguém numa situação semelhante? Como é que resolveram isto? Algum conselho para lidar melhor com a situação?
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2016.02.26 16:58 jocamasil Ciências Ocultas

É recorrente encontrar por aí a ideia de que o misticismo pode ter as suas legítimas ciências: as ciências ocultas, esotéricas, ciências não convencionais, tradicionais, não mainstream, etc. Que pode ser metódico: recorrer à experiência!
Encontro esta noção neste momento, na etiqueta de uma prateleira de livros numa biblioteca que diz: Ciências Ocultas, filosofia positiva, esoterismo. Esta etiqueta está na secção de filosofia. Ena! Filosofia positiva.
Pensei que sobre este tema algumas palavras pudessem ser uteis.
Para que não haja confusão, começo por separar dois possíveis significados da palavra experiência:
1) Experiência como vivência de um evento ou situação na primeira pessoa.
2) Experiência no sentido de prova e demonstração.
Obviamente que falando sobre ciências disto e daquilo, estamos a falar de experiência no segundo sentido, que é o que aqui vou abordar.
a minha ideia sobre este tema é simples - que qualquer estimulo à experimentação mais metódica que algumas correntes e autores de caracter místico tenham ganho, terá sido dado pela ciência. Misticismo e ciência com efeito nem sempre foram coisas distintamente separadas. A filosofia já englobou visões marcadamente místicas do mundo, a par com concepções em tudo semelhantes às actualmente integradas no corpo científico. Mas a história da filosofia, veio a separar em primeiro lugar a filosofia natural, e mais tarde a ciência da filosofia. Esta separação ocorreu ao mesmo tempo que a própria filosofia separava de si as suas versões mais especulativas, dogmáticas e místicas. E aqui estamos. Na contracurva desta evolução, onde movimentos atrás de movimento vemos o esboroar destas fronteiras, ainda sem raízes no senso comum. chamem-lhe new age, wicca, espiritismo, enfim, o que for, é nos pantanais desta ambiguidade que se criam ideias, nenhuma delas capaz de suster aos ataques de filósofos que habitaram este planeta há mais de 2000 anos, talvez as mais apuradas tivessem actualidade à 400 anos atrás, mas hoje é sintoma de um sistema de educação que falha em ensinar os clássicos e de transmitir o fundamento do percurso dos pensadores e ideias que nos trouxeram até aqui. Compreendo que não gostemos do resultado, mas caminhar sem conhecimento válido, ignorando o que até hoje foi adquirido, é incrivelmente estupido. O bruxo wiccan terá noção que o bruxo que tem por modelo, provavelmente morreu aos trinta e cinco anos, se por sinal, viveu além da média? enfim..
Mas não entremos em pânico, aqui está um pequeno texto para ajudar a distinguir uma coisa da outra. Não precisará de ir ler Hume ou Popper para salvar a alma das incongruências das novas ciências psicadélicas.
Invariavelmente a experimentação conduzida por místicos carece a) dos resultados esperados pelas deduções teóricas b) do rigor mais elementar que se possa exigir, até por um leigo, isto é, são sofismas, paralogismos ou mentiras descaradas, enfim, um dos três casos e é giro e lúdico descobrir em qual dos três se encontra a nova cura no mercado, ou a nova teoria social com base no domínio multidimensional de lagartixas.
Mas a pseudociência também tem a sua história e personagens tão diversos como Newton, Crowley ou Whilhelm Reich fizeram trabalhos na esteira da ciência e outros que caíriam numa das categorias anteriores. Bem, Aleister Crowley contribuiu mais para a arte do que para a ciência, mas não deixa de ser um exemplo bom no que toca a experimentação mística, expressa no seu lema: "O método da ciência, o objectivo da religião".
Mas Newton é para mim o exemplo melhor para esta discussão. Parte do seu trabalho mudou o mundo, outra parte é tão irrelevante que só ouvimos falar dela como curiosidade extravagante (se bem que ocupava um lugar tão importante no espirito de Newton quanto o seu trabalho científico).
De facto a ciência parte de um referencial teórico - não começa na experiência - mas este referencial é construído em estreita correspondência com o real (isto é, logicamente articulado e passível de ser testado), e requer na sua construção um cuidado minucioso em identificar e colmatar os defeitos e inclinações a que a nossa subjectividade e imperfeições sensitivas e cognitivas nos impõem, isto se o pesquisador quer que a sua pesquisa sobreviva ou chegue a merecer atenção dos seus pares. É neste contexto que é preparado o contexto especial para a verificação empírica ocorrer. Não é só chegar à natureza e observar, há muito trabalho antes disso. A razão extrai à natureza as partes e coloca-as em referenciais criados por si, como um juiz que inquire testemunhas, e reúne sinais subtis em investigações subsequentes que são conduzidas para eliminar todas as hipóteses alternativas que podem explicar um mesmo testemunho. A teoria final, pode não ser perfeita, podem faltar testemunhos, podem haver segredos que não foram descobertas, mas a ciência é essa tentativa incessante de chegar a verdade com meios limitados. Com efeito, o processo de construção dos instrumentos de verificação e a própria verificação impõem frequentemente ajustes ao modelo teórico, e posteriores experiências, num ciclo muitas vezes exaustivo e demorado, antes que se chegue à conclusão apresentada à comunidade científica, iniciando-se nesse momento um novo ciclo de avaliação.
Esta preocupação é estranha à mentalidade de um místico porque fá-lo-ia rebentar a sua bolha reflectora de sonhos, de que faz arte de a tornar tão opaca quanto possível, a meu ver o que faz é transformar uma qualidade auxiliar da mente racional (a imaginação) num grave fraqueza alienadora, mas isso é outra história.
É-lhe por sinal tão estranho que raro se apercebe que é inútil fazer experiências se a lente teórica está obstruída com slides de unicórnios voadores.
Mas a verdade não interessa, o seu recurso à experimentação é um mero artificio nesta emulação de realidade, "necessário" apenas numa época em que precisamos por força de hábito de palavras científicas para nos convencermos do que quer que seja!
​José Silva
PS: Recomendo da leitura dos diversos tipos de falácias (Link).
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